É manhã, tão cedo que apenas os mais ternos raios me acariciam o braço, novos amantes. É manhã, marco do novo dia, da nova personagem que vou interpretar.
Criança, senhora, mulher de muitos ou de ninguém, hipster, hippie, todas encarnadas com fingimento sincero.
Ofélia ou Anaïs? Eis, meus amigos, a questão.
E os meus dedos percorrem os vestidos no armário onde o Eu se refugiou do caos um dia.
Já escolhi.
Não é Ele, ainda não é Ele, nunca é Ele.
A porta bate, no seu toc abafado, atrás da personagem que acredito ser,
que alguém finge esperar, algures.
Só espero não me fragmentar no caminho.