Anaïs

Imagino-te sempre nos teus quarenta anos, gasta na pele e no espírito pelas muitas noites mal-dormidas de muito álcool e muitos amantes.
Imagino a tua vida vivida ao contrário, parecendo muito jovem no outono da vida e adulta na primeira infância, daquelas crianças com olhar intenso, de quem já viveu muito, como se ainda guardásses memórias de uma vida passada, fitando tudo e todos, não com curiosidade mas como se julgásses o mundo.

Publicado em: on Dezembro 22, 2011 at 11:46 pm  Deixe um Comentário  
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Ao som de eels

Publicado em: on Março 5, 2011 at 9:38 pm  Deixe um Comentário  

Um dia leram-me Alice Vieira

Passas despercebido
Por entre a inexistente multidão,
Quimera de pássaro verde
Que te esvais com o passar do tempo
E preenches com a tua cor o vazio
No qual me deito e sonho
Surreais e anacrónicos pesadelos.

2008
Publicado em: on Fevereiro 26, 2011 at 9:55 pm  Deixe um Comentário  

O stumble tem destas coisas

http://www.stumbleupon.com/su/1h4nfq/themonicabird.com/post/3273155431/date-a-girl-who-reads-date-a-girl-who-spends-her
Publicado em: on Fevereiro 26, 2011 at 9:49 pm  Deixe um Comentário  

A idade da Inocência

“A célula B naive é uma célula B madura mas que ainda não encontrou o antigénio (…) E pode nunca encontrar, pode morrer no caminho… A maior parte das vezes as células B naive não encontram o antigénio”, dizia a desgravada de Imunologia.

 

Humpf!

 

Pobre, pobre, célula B.

 

[pensamento nerd do mês, I think I need a new heart, The Magnetic Fields]

Publicado em: on Novembro 5, 2010 at 9:44 pm  Deixe um Comentário  

A execução de Catherine Howard, parte II

Quem é esse,
Catarina, por
ti tão amado,
que não é o teu
senhor
e te leva ao pecado?
Quem é esse,
Catarina, que
te tomou a razão?
que te procura
à noite,
sedento,
a quem tu
não consegues dizer não?
Quem é esse,
Catarina, que te
usa por retrete?
E te esbofeteia,
noite dentro,
enquanto o teu
olhar brilha
e o teu coração
derrete?
Quem, Catarina?
É o carrasco
que te levará a bela
cabeça
no dia da execução.
Publicado em: on Setembro 16, 2010 at 7:21 pm  Deixe um Comentário  
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Enganos

Sono pincelado na tela,
pintor de insónia,
esboçando nas horas
da madrugada,
morfeu que vem longe
e o desconsolo que é muito.
Inquietação pelo papel
sugada,
a traços descuidados.
Que erro a curvatura
do corpo,
da torre,
o olhar
que me sai falso.
Parto em busca
da borracha,
nas estantes,
pelo chão,
por entre as telas.
Mas a dita esfumou-se,
o meu esforço foi
em vão.
Ficará o corpo torto,
a torre inclinada,
o olhar enganador.
Houvesse apagador
dos nossos erros…
Publicado em: on Setembro 5, 2010 at 4:38 am  Deixe um Comentário  
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Vivre sa vie

Nana queria viver a sua vida, só sua, não prestando contas a ninguém. Queria aparecer nos écrans grandes, com os quais ocupava as tarde e por vezes as noites, sempre com os olhos húmidos de emoção.
Nana queria viver a sua vida, jovenzinha que era, e saiu de casa, abandonou pais e partiu corações no processo.
Mudou-se para uma cidade maior, tentou a dança, o teatro, os écrans.
Fracassou-os, que lhe faltava o talento e, como é raro nestas histórias, a beleza.
Hoje Nana já não se ocupa de écrans mas de homens, mulheres quando o acaso a isso obriga, pela noite e por vezes pela tarde.
O chulo dá-lhe uma folga semanal, na qual volta aos écrans, os actores os mesmos e ela igual, as lágrimas é que são outras.
Nana sai do cinema, encolhendo-se mais e mais no felpudo casaco preto e quase se funde com a noite, não fosse pelo brilho dos olhos húmidos.
E, apesar de o dia ser de descanso, pela maneira como o seu corpo languidamente atravessa as ruas pouco iluminadas, Nana anuncia que hoje viverá a sua vida. A sua má vida.
Sem dever nada a ninguém.
Publicado em: on Setembro 1, 2010 at 9:48 pm  Deixe um Comentário  
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John, querido John

Quis-me poeta
e logo me elevei, logo as minhas palavras se multiplicaram até ao infinito, cercando-me, protegendo-me, harmoniosas.
Quis-me pintor
e as minhas mão se sujaram e o meu olhar se expandiu, congelando o horizonte para o alcançar.
Quis-te
e o meu coração mirrou,mirrou,
para te caber na mão.
E tanto mirrou que acabou
na sola do teu
sapato.
Publicado em: on Agosto 30, 2010 at 12:55 pm  Deixe um Comentário  

Alessi’s Ark

Glendora, Glendora, Glendora

há quanto que não ouvia teu nome!

Publicado em: on Agosto 29, 2010 at 8:38 pm  Deixe um Comentário  
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